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Restauração ecológica e agricultura de baixo carbono são foco do 5° Módulo de Formação do projeto Terra e Mata




A atividade busca capacitar e promover a autonomia dos beneficiários do projeto na cadeia da recomposição florestal.


O 5° Módulo de Formação Continuada para Multiplicadores do projeto Terra e Mata, realizado pela Ecoporé com apoio financeiro do Fundo Socioambiental Caixa, teve como tema a “Restauração ecológica e os processos para um bom resultado”. A atividade, que aconteceu de modo itinerante entre os dias 14 e 20 de junho, abordou conhecimentos acerca dos serviços ecossistêmicos, sequestro e estocagem de carbono, formação de corredores ecológicos e conservação da biodiversidade.


Ao longo dos sete dias do 5° Módulo, participaram 79 agricultores familiares contemplados pelo projeto, os quais residem nos municípios de Presidente Médici, Alvorada d’Oeste, Urupá, Nova Brasilândia, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé e Costa Marques. Cerca de metade dos participantes eram mulheres.


Ana Paula Albuquerque, gerente de Educação da Ecoporé, coordenou a formação com apoio dos extensionistas locais Sueli Barbosa, Jéssica Muniq e Anderson Bento. Foi trabalhado com os agricultores o conceito de serviços ecossistêmicos, assim como a relação deles com a biodiversidade e as mudanças climáticas. Além disso, a Lei nº 14.119/2021, que institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e classifica os serviços ecossistêmicos em provisão, cultural, regulação e suporte, foi apresentada aos participantes durante as dinâmicas.


5º módulo de Formação em Presidente Médici


O conhecimento adquirido impacta diretamente nos cultivos dos participantes. Segundo Aparecida de Lurdes da chácara El Shaday em Alvorada d’Oeste, que acompanhou os cinco módulos de formação, “essa experiência ajuda com o manejo de pragas e doenças”. Para ela, “a Ecoporé traz uma visão sobre a importância do reflorestamento, da preservação, da recomposição e da restauração da biodiversidade”.


Outra produtora que transformou seu modo de cultivar é Viviane Amaral de Sousa do Assentamento Marxista Pescador, em Urupá. Antes, ela usava muitos defensivos e a inchada. Depois dos módulos, Viviane restringiu o uso de defensivos exclusivamente à grama e  aprendeu a trabalhar com a roçadeira, “que facilitou a minha vida e aumentou a minha escala de produção. É uma tecnologia e a cobertura do solo faz com que eu tenha mais facilidade e menos trabalho no meio rural”. A agricultura também participou da formação de coletores de sementes e afirma que agora também vê as árvores como meio de rentabilidade, sem precisar cortá-las. “Através dos conhecimentos dos módulos de produção que eu apliquei na minha propriedade, eu mudei a minha visão com relação à natureza e consegui conciliar os meios de produção e manter o meio ambiente preservado”, diz.


A formação é um espaço de troca de saberes entre a equipe de educadores e os agricultores, e também entre os próprios beneficiários. Segundo Adão Teixeira Chaves, do Sítio Nova Esperança, que participou da atividade no município de Presidente Médici, “o curso é muito bom para todos. A gente troca muitas ideias uns com os outros e aprende muita coisa importante a respeito de preservar nascentes, a natureza e sobre o clima que tá mudando”. Para ele, um dos pontos mais importantes dos módulos foi aprender sobre preservação de nascentes de beiras de rio e córrego.


O 5° módulo de formação faz parte de um ciclo de 6 atividades cujo objetivo é capacitar e aumentar a autonomia de agricultores familiares para desenvolverem ações de recomposição florestal e agricultura de baixo carbono. Espera-se que os agricultores se tornem multiplicadores, isto é, que ensinem outros agricultores a manejar as áreas de plantio, fazendo a manutenção das mesmas.


Os módulos anteriores tiveram como tema: 1° Módulo “Diagnóstico participativo” (abril e junho/2023 – 54 participantes), 2° Módulo “Recomposição Vegetal e a Agricultura Familiar” (outubro/2023 – 157 participantes), 3° Módulo “Semear e preservar para um solo sustentável” (janeiro/2024 – 61 participantes), e 4° módulo “Manejo alternativo de pragas e doenças na agricultura” (abril/ 2024 – 107 participantes). Alguns agricultores participaram de mais de um módulo.


O projeto


Iniciado em dezembro de 2022 e com encerramento previsto para maio de 2026, o projeto Terra e Mata é realizado pela Ecoporé com apoio financeiro do Fundo Socioambiental Caixa prevê a produção e produção de 480 mil mudas e beneficiaria, ao total, pelo menos 500 agricultores familiares em Rondônia, um dos estados com maiores índices de desmatamento da Amazônia Legal. Dentre as ações previstas, 300 áreas sensíveis serão restauradas e 200 sistemas produtivos sustentáveis serão implantados para a promoção da inclusão socioprodutiva de mulheres e jovens, com foco na renda e segurança alimentar das famílias.


O projeto visa aliar conservação e recuperação ambiental com geração de renda através da promoção da agricultura regenerativa em propriedades da agricultura familiar na Amazônia. Desse modo, reforça a resiliência e a adaptabilidade dos agroecossistemas a eventos extremos, como riscos relacionados às mudanças do clima, mantendo a disponibilidade dos serviços ecossistêmicos. A iniciativa também contribui para que o Brasil atinja o compromisso, assumido em 2015 durante a COP21 em Paris, de reflorestar 12 milhões de hectares de floresta até 2030.

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