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O que nos une em luta


Recuperar, restaurar e manter os territórios indígenas têm sido tarefa árdua nos últimos séculos. Mesmo assim, a resistência se faz presente e constante na luta dos povos originários. Uma pequena ponta desse trabalho é o processo de criação e apoio de iniciativas econômicas aliadas à conservação da floresta, como as do projeto Nossa Floresta Nossa Casa e de recuperação da Flona do Bom Futuro em parceria com a Ecoporé.


Só nesses dois projetos, aos menos 200 hectares de floresta, além de voltarem a ser um espaço de comunhão com a natureza e fonte de alimentação e renda para as mais de 22 etnias e 40 organizações indígenas existentes nessas áreas, apontam o caminho para a celebração que queremos para essa data de 7 de fevereiro, estabelecido desde 2008 como o Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas do Brasil.


A data foi criada para dar visibilidade às pautas dos povos originários, e já sendo de importância inquestionável, no cenário atual, em que no início de 2023 a crise humanitária sem precedentes nas Terras Yanomamis tornou-se internacionalmente conhecida, ressaltar essa data e projetos de luta é necessário.


A floresta é lar


Fortalecer as governanças territoriais, o protagonismo feminino, a valorização cultural, segurança alimentar são fundamentais nesse processo de luta indígena, e só se consegue isso, com a consolidação do valor da sociobiodiversidade, de forma com que seja possível a promoção da economia local de maneira sustentável.


O Nossa Floresta Nossa Casa apoia iniciativas econômicas indígenas aliadas à conservação da floresta em 1,5 milhão de hectares em Rondônia e no Mato Grosso, fortalecendo a capacidade produtiva e aumentando a renda com o plantio e suporte de cadeias produtivas como a castanha-do-brasil, açaí, cacau e artesanato, além do plantio de espécies florestais para restauração da floresta.


Na Flona do Bom Futuro, a geração de renda para as comunidades indígenas já começa na própria aquisição das sementes para a restauração, que são provenientes das TIs. Dos Karitiana, vizinhos da Flona, quase 3 toneladas de sementes foram adquiridas em duas fases do projeto. Até o momento, já são 5,5 toneladas de 73 espécies diferentes.


Além disso, do Projeto Viveiro Cidadão vem a orientação técnica para a coleta e armazenamento das sementes e mudas essenciais em todos esses processos. É uma forma de aliar o conhecimento técnico à sabedoria tradicional indígena, criando mudas mais fortes e gerando oportunidades de troca e de vivência em campo.


A aquisição das sementes pela Rede de Sementes da Bioeconomia Amazônica (ReSeBA) também é outro fator que visa aumentar o número de matrizes de sementes, a capacidade de fornecimento dos produtores cadastrados, que já passam dos 40, e aumenta a diversidade genética e geração de renda das famílias e associações que fazem parte da rede.


E a luta continua…


Chegamos em 2023, após 15 anos de instauração do Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas do Brasil, com a criação do Ministério dos Povos Originários e a condução da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) por uma mulher, um passo importante e significativo na construção e reverberação da luta.


Continuamos apostando nas ações diárias, na valorização cultural, na importância que os povos originários têm para a manutenção e preservação do futuro do planeta.


Associação Ecológica Guaporé - Ecoporé


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